"Estresse"
Autor: Dr. Omar Amyuni (Psicólogo)
Existem pessoas que se angustiam com problemas mínimos, e
até mesmo com problemas que não são seus, acarretando para si sobrecargas emocionais
- o ESTRESSE. Estas sobrecargas podem predispor estas pessoas para o desenvolvimento
de cardiopatias, que poderão levá-las ao infarto do miocárdio, à angina de peito
e até mesmo à morte súbita.
A ansiedade - principal causadora do estresse
- "é apreensão deflagrada por uma ameaça a algum valor que o indivíduo
considera essencial para sua existência como personalidade"(Rollo May,
1980). Este valor tanto pode ser a própria vida (ameaça de morte ou de dor)
como a existência psicológica (perda de liberdade, falta de expressão de si
mesmo). Em qualquer caso, é um sinal de alarme, pois é uma reação do organismo
(defesa) contra a existência de tarefas ou de situações de perigo que o indivíduo
acredita ser incapaz de dominar.
As ansiedades podem ser de origem externa, situação econômica,
trabalhos, competições ou problemas afetivos, por exemplo. Ou interna, nos exemplos
em que o medo de reprodução de situações traumáticas anteriores instala-se na
mente, ou quando excitações (tensões) imaginárias transformam-se em sintomas.
Existem alterações de ordem emocional positiva que podem levar
a um momento ou a uma vida estressante, tais como promoção no trabalho,
casamento ou nascimento de filhos, mudança de cidade, conclusão/formatura em
cursos superiores, enfim, fatos geradores de fortes emoções.
O estresse também pode ser causado por outras situações graves
e, por vezes, depressivas, tais como: acidentes, contínuo excesso de trabalho,
estado constante de competição, querer "abraçar o mundo com as mãos",
situações de "brigas"/ discussões, estado nervoso sempre alterado,
perda de entes queridos, perfeccionismos, etc.
Os fatos que podem gerar estresse, se não forem bem elaborados,
tenderão a provocar a quebra do equilíbrio interno do indivíduo, fazendo com
que ele se sinta supervalorizado e, conseqüentemente, cobrado em suas atitudes,
pelos outros ou por si próprio, ou desvalorizado e com perda da auto-estima.
A pessoa torna-se, assim, um alvo mais fácil poara o infarto do miocárdio.
Não se esqueça de que o estresse não é uma doença;
é um estado de desequilíbrio corpo-mente que se instala em uma pessoa quando
seu organismo é submetido a uma série de tensões, que provocam um excesso de
produção de neurotransmissores (adrenalina, serotonina, opiáceos, noradrenalina,
etc.). Portanto, procure evitar situações que possam causar estas tensões. Veja
o tópicos DICAS.
- Não assuma problemas que não são seus; provavelmente os seus
já lhe serão suficientes; aprenda a dizer: "ester problema não é meu;
posso até ajudar, mas não é meu".
- Quem está cobrando você de algo que o deixa tenso? Estará
cobrando mesmo? Ou é você que se cobra?!
- Se alguém está lhe dando uma bronca não merecida ou muito
maior que a merecida, pergunte-se: "com quem será que ele está bravo?
Não é comigo!". Desvie o pensamento para coisas agradáveis.
- Dimensione com racionalidade seu trabalho (Você está fugindo
ou tem medo de quê? É real?).
- Sua casa é um lugar de contato familiar, amizades, descanso,
enfim, bem-estar. Portanto não leve trabalho para casa. Quando você "bater
o ponto", faça-o realmente, deixando suas preocupações profissionais
fechadas no local de trabalho.
- Adapte seus anseios à sua capacidade de realizá-los.
- Respeite seus limites! Vocêestá competindo com quem?
Será que ele(a) também está competindo com você ou você só pensa que está?
- Fazer exercícios ou caminhadas (mais ou menos 3 vezes por
semana) ajuda a descarregar as tensões. (consulte seu médico à respeito; não
faça exercícios sem orientação). Se estiver com muita raiva, experimente descarregá-la
esmurrando um travesseiro.
- Nunca deixe de tirar férias; e quando tirá-las esqueça-se
de seus trabalhos/preocupações; deixe alguém de sua confiança cuidar disto.
Você poderá retribuir oportunamente. E não se preocupe: se houver problemas
graves, você saberá.
- Não se deixe influenciar pelo que "os outros vão dizer";
provalvelmente você não lhes deve nada. Então não precisa dar satisfações.
As opiniões dos outros podem ser válidas, mas só após analisadas por você,
que tirará as conclusões se deve ou não fazer isto ou aquilo.
- Admita que você não é onipotente e nem mesmo um Super-Homem.
Você pode não ser bem-sucedido em tudo que fizer. Você certamente é excelente
em alguns campos, mas pode não dominar outros.
- Não "escolha" inconscientemente a crise cardíaca
para evitar mostrar suas fraquezas e vulnerabilidades; você pode mostrá-las
e, quando isto acontecer, você constatará que os outros mostrarão também seus
sentimentos de carinho por você: afinal, descobriram que você é humano!
- Os perfeccionistas e os explosivos costumam estabelecer metas
cada vez maiores e até mesmo inacessíveis e, mesmo quando as alcançam, continuam
insatisfeitos, gerando tensões internas. Você pode atuar com mais tranqüilidade
e, ainda assim, atingir altas realizações na vida, e com menos estresse!
- Se abra! Desabafe! Converse com os amigos sobre seus problemas.
Sempre terá alguém com problemas semelhantes. Mesmo que não tenha, você terá
desabafado e relaxado.
- Uma Psicoterapia Breve (tratamento psicológico de curta duração)
ajuda muito. Você poderá se conhecer melhor e saberá como lidar com determinados
problemas dos quais você não pode se livrar. Lembre-se: uma pessoa que está
assistindo a um jogo, de fora, vê lances que os envolvidos não vêem. Procure
um Psicólogo. Com ele você poderá falar de problemas que não falaria com ninguém
mais.
- Procure fazer exercícios de relaxamento ou de meditação.
Se não conseguir, ou se os sintomas não forem aliviados, procure um Psicólogo.
- Se seu médico lhe receitou calmantes, tome-os apenas nas
dosagens receitadas e pelo período indicado. Não volte a tomá-los cada vez
que se sentir irritado; nem sempre serão necessários e você poderá "acostumar-se"
com eles, com o risco de criar uma dependência. Consulte um Especialista.