Braile Biomédica

Tecnología médica... ¡de corazón!

ABR

24

Imprimir esta notícia Indicar esta página para um amigo

NOTÍCIAS - Homenagem do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

24/04/2012


Homenagem-1No último dia 21 de janeiro, o Prof. Dr. Domingo Braile recebeu o “Prêmio Benedicto Montenegro” do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, Capítulo de São Paulo. A entrega da honraria aconteceu durante a posse da nova diretoria do Capítulo de São Paulo do CBC. Confira, a seguir, relato da Profa. Dra. Maria Cecília Braga Braile, que acompanhou a cerimônia, sobre a importância do Prêmio.
 
Sobre o CBC
O Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) é uma “instituição científica atuante, preocupada em apresentar para seus membros as modernidades da cirurgia, valorizando os avanços atuais e priorizando as evidências. Reconhecida em todo o Brasil desde 1929, o CBC tem procurado atuar em todos os campos relacionados à atividade do cirurgião.” Na maioria dos Estados, o Colégio é representado pelos Capítulos Regionais. O Capítulo de São Paulo foi fundado em 1941, e teve como seu primeiro Mestre (presidente), o Professor Dr. Benedicto Montenegro. Todos os anos o Colégio, através de seus Capítulos, escolhe um cirurgião para ser homenageado, para receber uma honraria que, no Capítulo de São Paulo, recebe o nome de “Prêmio Benedicto Montenegro”. “O Prêmio Benedicto Montenegro, cujo nome homenageia o primeiro Mestre do Capítulo do São Paulo, é outorgado a um cirurgião que tenha atuado no Estado de São Paulo e contribuído de maneira inequívoca para o desenvolvimento da cirurgia brasileira.
  
Quem foi Benedicto Augusto de Freitas Montenegro?
Paulista, viveu de 1888 a 1979, formou-se em Medicina pela Universidade da Pensilvânia em 1909. Em 1911 foi convidado para integrar o corpo docente da Faculdade de Medicina de São Paulo, como operador da Cátedra de Anatomia Descritiva, Anatomia Topográfica e Operações e Aparelhos e finalmente promovido a catedrático de Técnica Cirúrgica e Cirurgia Experimental e de Clínica Cirúrgica.
Foi, também, diretor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e do Hospital das Clínicas. Teve uma das três maiores clínicas do mundo, lembra-se que em cerca de 20 anos, operou mais de três mil estômagos, sendo o primeiro cirurgião a realizar, na América Latina em 1923, a primeira gastrectomia com êxito completo.
Participou da Missão Médica Militar Brasileira, na qualidade de Tenente Coronel chefe de serviço, que seguiu para a França durante a Primeira Guerra Mundial.
No período de 1934/35 foi deputado e primeiro vice-presidente da Assembléia Legislativa de São Paulo.

Homenagem-2

Beleza Moral
Na entrega do Prêmio, o Mestre do Capítulo de SP do último biênio, Dr. Paulo Kassab, proferiu um lindo discurso em homenagem ao Dr. Braile. Ele iniciou com uma rápida retrospectiva dos feitos profissionais do homenageado, e, a seguir, continuou com as seguintes palavras:

"Um homem de realizações excepcionais na área médica, mas acima de tudo preocupado com a formação não só técnica, mas também cultural de seus discípulos e atento e atento à condição social do Homem à sua volta, exercendo ciência como nos ensinaram nossos mestres dentro deste mesmo Colégio Brasileiro de Cirurgiões.
Quando analisamos a vida do Prof. Braile, podemos imaginar que teve como exemplo Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, que foi pai das suturas vasculares e dos transplantes, especialidade também de nosso homenageado. Assim como Carrel, ele é inventor, inquieto, criativo, inovador, gerador de patentes que orgulham nosso país e nosso estado, e que salvam milhares de vidas anualmente. Invenções que não restringem à cirurgia cardiovascular, mas também a inúmeras outras especialidades médicas. É um exemplo para gerações de médicos, pesquisadores e docentes, mas, sobretudo para nossa sociedade, tão carente de gente dessa estirpe nos dias de hoje.
O grande René Descartes, pai do pensamento moderno e da lógica, nos ensinou que o alvo da filosofia é o bem dos homens, e, muitos anos após, o sociólogo alemão Max Weber dizia: “O progresso científico é p fragmento mais importante do processo de intelectualização”.
Domingo Braile soube e sabe ainda nos dias de hoje, associar e cultivar essas duas correntes de pensamento em todos os setores de sua atuação. É dono de uma frase extraordinária que resume o que desejamos dizer: “Investir em educação e aprimoramento deve ser a meta essencial de todas as nações e, principalmente daquelas que pretendem saltar do subdesenvolvimento para o patamar mais alto.”
Finalizo senhoras e senhores com um texto do próprio Carrel que se aplica bem para homenagearmos o Professor Braile. “Na sociedade moderna, raramente temos ocasião de observar indivíduos cujo comportamento seja inspirado por um ideal moral. Contudo, tais indivíduos ainda existem e é impossível deixar de notá-los quando os encontrarmos. Sua beleza moral deixa uma recordação inesquecível àquele que a contemplou por uma vez só que fosse! Impressiona-os mais do que o belo na natureza ou na ciência; dá a quem a possui um poder estranho e inexplicável; aumenta a força da inteligência; promove a paz entre os homens e é muito mais do que a ciência, a arte ou a religião, o fundamento da civilização”.

São Paulo, 21 de janeiro de 2012


* Discurso proferido pelo Dr. Paulo Kassab, Mestre do Capítulo de São Paulo do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (biênio 2010 - 2011) durante cerimônia de entrega do “Prêmio Benedicto Montenegro” ao Dr. Domingo Braile

-------------------------------------------

PRÊMIO BENEDICTO MONTENEGRO

No dia 21 de Janeiro deste ano de 2012, fui agraciado com o Prêmio Benedicto Montenegro, durante a cerimônia de posse da nova diretoria do Capítulo de São Paulo do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC).
Agradeço do fundo do meu coração a todos os membros do CBC, na pessoa do querido amigo Paulo Kassab seu Presidente, que certamente exagerou ao apresentar-me diante de vós.
Seria redundante dizer o quanto estava emocionado no momento em que, com especial deferência, franquearam-me a palavra, pois, ocasiões como estas são muito raras em nossas vidas.
O momento transportou-me aos anos da minha infância, vivida em uma cidadezinha em que nem luz havia, e na qual meu pai exercia a profissão de médico de corpo e alma, como havia aprendido em seus estudos na Europa lembrando os ensinamentos de Platão.
Assim é que, em sua placa estava escrito: Dr. Lino Braile-Médico-Operador-Parteiro.
O consultório era em nossa própria residência, e seria impossível para mim e meu irmão não participarmos do dia a dia do nosso pai, atendendo dezenas de pacientes com as limitações da época, uma vez que estou me referindo aos anos 40, antes do advento da penicilina, corticosteroides, diuréticos assim como da maior parte dos exames subsidiários hoje existentes.
Estudei até o terceiro ano do antigo “Grupo Escolar” à luz de uma lamparina de querosene. Tenho que confessar, contudo: tive uma infância privilegiada pela liberdade de viver em uma sociedade em que meu pai, desculpem o exagero, era venerado, pelo bem que fazia àquela comunidade.
Neste ambiente sempre me perguntavam o que eu queria ser, ao que respondia sem titubear: quero ser médico de cortar, como o Dr. Benedicto Montenegro!
A fama do grande professor chegava aos mais longínquos sertões do Brasil, a ponto de influenciar uma criança a tê-lo como paradigma para o futuro.
Imaginem prezadíssimos colegas, o meu estado de transe, neste momento em que, mais de 60 anos passados, recebo o Prêmio Benedicto Montenegro.
Relembro toda minha trajetória, a Faculdade de Medicina da USP, aqui em São Paulo, a cidade grande que eu mal conhecia, onde encontrei colegas e professores, alguns deles aqui, que me acolheram com sua amizade e seu carinho.
Relembro os 50 anos dedicados à Cirurgia Cardíaca, que vi nos seus alvores e que me permitiram operar mais de 25 mil pacientes e formar uma plêiade de especialistas, que me orgulham pelo seu desempenho técnico e ético.
Relembro a fundação da Faculdade Estadual de Medicina de Rio Preto, junto com quatro colegas idealistas, resultando em uma das melhores do país.
Mas nada disso tirou-me a origem de todo cirurgião, uma classe especial de pessoas, que por um determinismo da natureza sempre existiram, mesmo nas Sociedades mais primitivas, como Barbeiros Cirurgiões, que muito custaram a ser admitidos como membros da elevada classe dos doutos médicos.
Dedicando-me à Cirurgia Cardíaca, senti-me um pouco discriminado, por não ser considerado um “Cirurgião de verdade”, pois sempre desejei sentir o orgulho de pertencer a esta comunidade especial. 
Vejo agora nesta solenidade muitos jovens valorosos trilhando os caminhos da arte e da ciência, buscando restituir a saúde aos que a perderam.
Vocês abraçaram uma carreira sublime em que os sentimentos de emoção e compaixão devem ser os mais fortes a permear vossas almas quando tratam de vossos pacientes.  Só assim receberão a gratidão e o júbilo, que nenhuma outra profissão pode oferecer.
Agradeço aos meus pares pela generosidade com que me agraciaram com este prêmio, que é para mim o maior reconhecimento que poderia ter neste terço final de minha existência. Ao mesmo tempo, desejo aos mais jovens todas as oportunidades e toda sorte que tive na vida, exercendo a profissão que fez sempre parte do meu ser.

Muito obrigado a todos!

Domingo Braile