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RESUMO DA HISTÓRIA DA CIRURGIA CARDÍACA NO MUNDO

"Nenhum outro corretivo é mais eficaz para os homens que o conhecimento do passado"

Clique aqui"É fato conhecido que na Europa, e principalmente no Brasil, até fins do século XIX não eram realizados procedimentos cirúrgicos, a não ser aqueles mais simples, que ficavam a cargo do " barbeiro", "barbeiro – sangrador" ou "cirurgião-barbeiro". Este praticava sangrias e escarificações, aplicava ventosas, sangues-sugas e clísteres, lancetava abscessos, fazia curativos, excisava prepúcios, tratava as mordeduras de cobras, arrancava dentes. A maioria era constituída de leigos, incultos e de humilde classe social. Nessa época, em todo o mundo, a cirurgia era, de forma geral, incipiente e, em termos de abordagem cardíaca, totalmente inexistente. Em 1882, Theodor Billroth comentou que a realização de pericardiectomia eqüivaleria a um ato de prostituição em cirurgia ou frivolidade cirúrgica. Este mesmo "Doutor", afirmou no ano seguinte que todo cirurgião que tentasse suturar uma ferida cardíaca deveria perder o respeito de seus colegas. Não demorou porém, para que Ludwig Rehn, em 1896, obtivesse êxito ao suturar um ferimento de ventrículo direito. Ainda com relação à abordagem do coração, foi no mínimo curiosa a observação de Sherman, em 1902, no Journal of The American Medical Association. Este comentou que a distância para atingir aquele órgão não é maior que uma polegada, mas foram precisos 2.400 anos para que a cirurgia pudesse percorrer esse caminho.

Na verdade, foi somente há pouco mais quatro décadas que a cirurgia cardíaca, nos moldes como a conhecemos hoje, começou a delinear-se e, desde então, o progresso tem sido vertiginoso. O avanço científico do século XX desmistificou o coração como sede da alma, colocando-o em um patamar hierárquico não muito distante dos demais órgãos do corpo. Iniciou-se, assim, a História da Cirurgia Cardíaca!

As cirurgias cardíacas começaram com o coração fechado, e foram chamada de "Operações cardíacas a céu fechado". Só anos mais tarde, com o desenvolvimento das "Bombas de Circulação Extracorpórea" e dos "Oxigenadores" que os cirurgiões puderam abrir o coração, iniciando o que se chamou de "Operações Cardíacas a Céu Aberto". Dentre as operações cardíacas a céu fechado destacam-se as referentes às cardiopatias congênitas, às valvopatias mitral e aórticas do tipo estenose e a insuficiências coronárias, as quais eram operadas por fora do coração, com técnicas hoje consideradas ultrapassadas. A primeira correção da persistência de canal arterial com sucesso deu-se em 1938, e foi realizada pelo Dr. Robert E.Gross, nos Estados Unidos. Treze anos antes, em 1925, Henry Souttar, no London Hospital, fez a abordagem da valva mitral através do apêndice atrial esquerdo, realizando a comissurotomia com o auxílio do próprio dedo indicador. Apesar do sucesso, nenhum outro caso foi por ele operado por absoluta falta de encaminhamento de pacientes, por parte dos cardiologistas britânicos da época. O desenvolvimento da cirurgia da valva mitral estenótica só foi retomado em meados da década de 40, quando os doutores Dwight Harken e Charles Bailey, que independentemente, passaram a praticar a valvuloplastia em larga escala. A cirurgia cardíaca a céu aberto pode ser considerada como um dos mais importantes avanços médicos do século XX. É inegável que este fato se reveste da maior importância mormente em se considerando que a primeira cirurgia cardíaca a céu aberto, realizada com sucesso só aconteceu em 1952. Foi realizada quando o Dr. F. John Lewis corrigiu uma comunicação interatrial de 2cm de diâmetro, sob visão direta com interrupção do fluxos nas cavas e hipotermia corporal moderada (26º C), em uma menina de 5 anos de idade, no Hospital da Universidade de Minnesota (EUA).

Alias a Universidade de Minnesota pode ser considerada como sendo o berço da cirurgia cardíaca mundial, pois foi lá realmente que os grandes fatos aconteceram. Foi lá também que os pioneiros das cirurgia cardíaca brasileira se iniciaram, sob a orientação do Dr. W. Lilhehei, com destaque para os Drs. Euryclides de Jesus Zerbini, Delmont Bittencourt. André Esteves Lima, Hugo Felipozzi e Domingos Junqueira de Moraes. Estes foram os pioneiros que aqui difundiram conhecimentos, formaram escolas e fizeram da cirurgia cardíaca um marcador da viabilidade do nosso país." (adaptado do artigo do Dr. Braile et col., "Caminhos da Cardiologia"- "História da Cirurgia Cardíaca." Publicado na Revista Arquivos Brasileiros de Cardiologia Volume 66, Nº 6, 1996).

Caminhos da Cardiologia

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